Griletto estoca pontos comerciais


Rede de fast food faz compra em série de espaço em praças de alimentação para garantir presença em shoppings e dobrar de tamanho

Filho de português dono de padaria, Ricardo Alves cresceu num ambiente gastronômico. Começou ao lado do pai, vendendo pão francês no interior de São Paulo e aos 17 anos montou seu primeiro negócio independente: um carrinho de cachorro quente. Dali, migrou para um açougue e em 2003 percebeu que vender só carnes não o levaria muito longe. "Era preciso agregar valor a esse produto", lembra o empresário.

Foi aí que a carne crua virou grelhada e ganhou, no cardápio do Griletto, acompanhamentos bem brasileiros - arroz, feijão e batata frita. Seria só mais um restaurante de uma cidadezinha do interior, se Alves não tivesse cismado em se instalar no único shopping da cidade.

Hoje, a rede, com 37 unidades em São Paulo, Goiás, Minas e Paraná, está apenas em praças de alimentação de centros de compras. Por enquanto, ele não quer saber de lojas de rua. O plano de expansão da Griletto acompanha a inauguração de shoppings pelo País. Segundo a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop) serão 10 até o fim do ano e 29 em 2011. "O ponto exige um investimento maior, mas o público é garantido e a estrutura oferecida nesses locais, como estacionamento e marketing, compensam."

Para manter o ritmo de inauguração de lojas, que já chegou a 200% de um ano para outro, Alves adotou uma estratégia pouco convencional no segmento de franquias. O empresário primeiro sai a caça de pontos em shoppings que ainda não foram inaugurados, mesmo sem saber se terá franqueados interessados em assumir o negócio. "Como temos o know how de gerir unidades próprias, esse não é um problema. A lógica é não perder oportunidades", afirma.

Até o primeiro semestre de 2012, a Griletto vai inaugurar 62 novos restaurantes - metade deles já têm parceiros definidos e a outra parte integra o que Alves apelidou de "carteira de pontos". É um estoque de espaços em praças de alimentação. "A estratégia é diferente, adotada por poucos, porque é arriscada, mas tem suas vantagens porque os pontos em shoppings estão cada vez mais valorizados", diz Cláudia Bittencourt, consultora especializada em franquias.

Os franqueados investem cerca de R$ 250 mil além do aluguel do espaço, que pertence ao Griletto. O retorno, segundo Alves, vem entre 18 e 30 meses, com faturamentos anuais de R$ 2 milhões para cada franquia.

Expansão. A rede está se preparando agora para chegar ao Nordeste. Como já vende para classes C nas regiões em que atua, não haverá necessidade de grandes adaptações. No máximo, serão feitas algumas alterações no cardápio, com a substituição de mandioca por macaxeira, por exemplo.

O Griletto tem basicamente dois tipos de clientes. Durante a semana, atende trabalhadores que vão almoçar nos shoppings e aos fins de semana, pessoas que querem "um lazer barato". Os pratos variam de R$ 9 a R$ 21.

No cardápio, o carro chefe são os "pratos feitos" com grelhado. Alves faz questão de ressaltar que tudo é servido em porcelana francesa. "Já tentamos colocar pratos mais simples, mas as pesquisas de opinião mostram que nossos clientes se importam com isso."

Expansão 29 shoppings serão inaugurados no País só em 2011, segundo dados da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop) 62 contratos integram a "carteira de pontos" do Griletto em praças de alimentação de shoppings que entrarão em funcionamento.